É de conhecimento público que se você decora as falas de um trailer, 3 meses antes do mesmo estrear no cinema e sente uma vontade crescente de interpretá-las na sala no dia da estréia você é um nerd irreparável, certo?
Prazer, eu sou um nerd irreparável.
Porque apesar de nunca ter lido a graphic novel de Frank Miller, ao ver o trailer a baba começou a escorrer e inundou os bairros vizinhos numa enchente sem precedentes na cidade de São Paulo, e, ver o filme nesse último fim de semana me fez pensar que os nerds atingem um grau de felicidade acima do humano normal. Pois ninguém, além de um nerd entende a beleza da ver uma HQ filmada fielmente quadro a quadro ou atuações primorosas que dão vida aos personagens que só tinham tomado vida na sua imaginação.
Se você não ficou preso num aeroporto nos últimos 3 anos (ou faltou às aulas de História) já deve saber que 300 retrata a Batalha das Termópilas, onde 300 soldados espartanos seguraram uma caralhada de soldados persas. É mais ou menos como se 3 guardinhas florestais quisessem parar um arrastão.
Tudo isso porque o Rei-Deus-Biba Xerxes (Rodrigo Santoro, mais afeminado do que o travesti que ele interpreta em Carandiru) acha que sendo um enviado divino ele tem direito a sair apagando geral as quebradas por aí, inclusive Esparta, terra dominada pelo gritão Rei Leônidas (Gerald Butler).
"Odeio jantar na minha sogra"
Aliás, analisando o temperamento do nosso protagonista, imagino uma cena cotidiana em Esparta naqueles dias:
- Daddy, where’s our home on the map?
- (Aponta e grita) THIS IS SPARTA!!!
Daí pra frente, usando a geografia, o sarcasmo e a disciplina espartana, os 300 empilham pilhas e mais pilhas de persas em lutas fantásticas e cenários fodas.
Resumindo, se depois de ver o filme você quiser andar com um sungão de couro e roubar a cortina da sua mãe pra fazer uma capa, não estranhe, isso é porque o filme é...
Pensando melhor, estranhe sim, ninguém usa uma cortina vermelha.